As Missões Planetárias consistem em receber coordenadas dadas pela Espiritualidade e viajar por todo o planeta, indo até cada ponto pedido. Há quem diga que é uma loucura. E é verdade. É mesmo. Mas são as loucuras que dão um brilho especial à existência, certo?!
Apesar das Missões Planetárias consistirem na ida até às coordenadas recebidas, elas são muito mais profundas do que isso. Essa é somente a parte prática. A parte visível. A parte material. E também é a parte mais pequena de todas as Missões. Cada missionário (e esta palavra não tem nada a ver com os missionários religiosos) ou facilitador planetário tem o seu método. No meu caso, anoto os números dados pelo Marcos e organizamos toda a viagem ao redor dos locais aonde temos de nos dirigir. Sei que há missionários que simplesmente sentem os espaços a chamá-los. Há também quem tenha visões ou sonhos. Enfim, o Marcos ampara-nos muito e eu sei disso.
Já me questionaram sobre qual é verdadeiramente a utilidade destas viagens ou deste trabalho. Também já tive a minha fase de questionamento. Primeiro, é importante sabermos que o caminho da transcendência do Ego ou, como diz a Espiritualidade, a Rota da Ascensão, não é, de todo, um caminho fácil. Por isso é que são poucos os corações que o escolhem. A mente procura facilidade, procura o conhecido e o conforto. A Alma, pelo contrário, sabe que só há desenvolvimento na chamada dificuldade, no desconhecido e no desconforto. E porquê? Porque é sinal de que estamos a enfraquecer a mente. O que torna algo fácil ou difícil é a mente e os seus conceitos e crenças. Nada mais. Portanto, quando digo que o caminho da iluminação exige dificuldade, significa somente que exige não escolher a voz da mente. E quando o começamos a fazer, quando começamos a seguir o coração e não a mente, ela torna-se mais intensa. É como se ela nos berrasse, querendo-nos proteger do desconhecido para onde estamos a ir. Então, antes da mente silenciar, ela torna-se bem mais presente. Ela vai dar tudo. Ela sabe que tem de dar tudo. Afinal, estamos a entrar em caminhos não perigosos para nós, mas sim perigosos para ela. A mente corre risco de desvanecer, de perder a «razão». E a razão é muito importante para a mente.
Todos os Iluminados atravessaram momentos extremamente desafiantes e dolorosos. Jesus atravessou os vales da rejeição, da incompreensão e da perseguição. Experimentou imensas dores físicas. Sidarta Gautama sentiu de perto a frustração, a indecisão e o desejo. Perdeu o sentido da vida e, sem querer, essa foi o seu veículo para o encontrar. Escolher a Alma é dar espaço à Vida para que teste essa escolha. Nem é que a vida nos esteja a testar, ela está a dar-nos todas as oportunidades para nos escolhermos. Depois, é connosco.
As Missões Planetárias não estão separadas do caminho da Transcendência do Ego. Isto não é sobre escolher viajar e trabalhar ao serviço do Planeta. Isto é sobre trabalhar ao nosso serviço. Ao serviço da nossa transformação. E só assim podemos servir o Planeta. Isto não é sobre ir até aos locais e receber energia. Isto é sobre ser corajoso ao ponto de saber que as energias súbtis do Planeta irão desencadear processos internos intensos e, mesmo assim, escolher ir. Escolher receber. Escolher ser. Despertar é intenso. Ascender é outro nível. Tudo corre perigo, exceto quem verdadeiramente somos. A nossa essência é intocável, imutável, indefinível. Mas para a abraçarmos plenamente, a mente não pode estar presente. Isto é o que todos os grandes mestres nos têm vindo a ensinar. Ou Alma ou ego. Os dois não podem existir em simultâneo.
Então, as Missões Planetárias são o caminho da transformação individual e, só assim, o caminho da transformação coletiva. Quem vê de fora não compreende o nível de profundidade que surge em cada viagem. Melhor, em cada ponto. Tudo o que é iluminado só pode ser experimentado, não falado.
Podia escolher algo mais leve, algo mais confortável. Mas isso seria o que eu precisava? As Missões são muito mais do que a ida aos pontos, são também sobre a unidade do grupo de trabalho, da vulnerabilidade que cada coração revela, da história pessoal de cada um que precisa de morrer. As Missões são sobre espalhar a luz que comece a crescer no nosso interior, são sobre conversas profundas e risos sem fim. São sobre lágrimas que falam de dores e de amores e de abraços repletos de saudades. São sobre pessoas imperfeitas, cheias de falhas e de medos, que se escolhem. Escolhem-se a si mesmas e àqueles que também se escolhem. E a partir desta escolha, nada mais interessa. É uma luz que se acende e que não há como apagar. Já assisti a todo o tipo de situações durante as Missões. Vi pessoas que me são queridas a perder as forças com toda a Verdade que surgia. E, mesmo assim, continuavam a desejar acompanhar-me. Continuam a querer escolher-se. A querer mergulhar mais profundamente em si mesmas.
Para além de missionária, eu também sou terapeuta. Através da voz da Alma, consigo disponibilizar as ferramentas certas na hora certa para que cada pessoa possa navegar mais pacificamente no oceano turbulento da mente. Contudo, nas Missões não há ferramentas. A própria Missão é a ferramenta. Não há separação alguma. Não há necessidade de uma voz exterior se fazer ouvir. No fundo, qualquer voz senão a própria pode atrapalhar. Não há necessidade de uma sabedoria que não a nossa. Quem vivencia as Missões, jamais as saberá explicar. Quem escuta sobre elas, jamais as compreenderá. É preciso vivenciar.
Na Rota da Ascensão, a dor não significa que não estamos no caminho certo, significa que estamos a limpar as feridas que ainda nos acompanham no presente. O desconforto não significa que estamos no caminho errado, significa que estamos a deixar de valorizar os nossos medos, dúvidas e receios. A tristeza não significa que temos de mudar de direção, significa que lhe demos espaço para que se manifestasse, sem a necessidade egoica de a esconder e omitir.
É realmente exigente. É verdadeiramente uma loucura. Mas é somente para isso que existimos: para nos tornarmos num canal de Amor. Relembrando-o. Vivendo-o. Transbordando-o. E para sermos Amor, precisamos de ser Agora. E o Agora só germina nos solos onde arrancamos delicadamente o passado e o futuro. O passado existe, mas perdeu a força. Honramos verdadeiramente o seu significado: já passou. Não importa mais.
No fundo, as Missões Planetárias são uma ferramenta da transcendência do ego. Uma das muitas que existem. Para mim, talvez uma das mais belas. Críamos uma conexão tão profunda com a essência da Terra que acabamos por criá-la connosco ou vice-versa. É uma boa forma de desfrutar desta passagem terrena, desfrutando da Terra.
Não nos podemos esquecer que a verdadeira aprendizagem só começa onde a zona de conforto termina. E, sinceramente, as Missões Planetárias sabem como nos retirar constantemente da zona de conforto. Aprendizagens atrás de aprendizagens. Através delas, dá-se a unidade das polaridades e, assim sendo, o fim das mesmas. Não há mais luz ou sombra, tudo o que há é Amor.








Uma resposta
Para mim às vezes é assustador. No meu caso vem uma palavra, uma imagem, um país, uma cidade… nem sei bem o que vou lá fazer… ou pelo menos foi assim da 1ª vez mas é sobre ir dizendo SIM e o Caminho vai-se mostrando. Ainda me assusta um pouco mas, ao mesmo tempo, faz parte da Missão. E, para mim, em cada local nós vamos Ativar mas vamos, ao mesmo tempo, trocar e trabalhar com aquele local, é sempre um Dar e Receber. Grata pelo post